QREN atrasa obras públicas no valor de 2500 milhões

Hoje no DN

A Deloitte e a ANEOP apresentaram ontem as conclusões preliminares do primeiro estudo sobre o sector da construção feito em Portugal. Querem afirmar o “poder”de uma indústria que, dizem, podia fazer avançar mais depressa o País. Mas falta dinheiro

Há em Portugal obra parada por falta de financiamento no valor de 2500 milhões de euros. Quem o diz é a ANEOP-Associação Nacional de Empreiteiros de Obras Públicas. Em declarações ao DN, à margem da apresentação, ontem ocorrida, de um estudo sobre o sector da construção, Manuel Agria, vice–presidente daquela estrutura representativa, referiu que “o facto de o QREN [Quadro de Referência Estratégico Nacional, que abrange os dinheiros comunitários] estar com um grau de execução baixíssimo, leva a que 2500 milhões de obra pública lançada em concurso ainda não tenha sido adjudicada”.

“O mais provável é que as instituições que têm obras na gaveta ainda não tenham recebido os fundos para avançar”, referiu Manuel Agria, pondo ainda a hipótese de tal facto se dever a que “os projectos não tenham sido sujeitos à avaliação do QREN a tempo e horas”. Mas, apesar disso, dá como exemplos a “França e a Espanha, onde foram antecipadas muitas execuções de obra pública”, precisamente para fazer face às necessidades actuais da crise económica. “Muitas PME beneficiariam com isso”, alerta.

O estudo apresentado em conferência de Imprensa, intitulado “O Poder da Construção em Portugal – Impactos 2009/2010”, é da autoria conjunta da ANEOP e da consultora Deloitte e embora já tradicional no resto da Europa, é o primeiro no País. Ontem foram divulgadas apenas as primeiras conclusões, já que o estudo só deverá estar totalmente concluído no início de Junho.

Questionado pelo DN sobre se a ideia era criar um lóbi que, de alguma forma, combatesse a oposição que vários sectores da sociedade têm demonstrado em relação à realização das grandes obras, Manuel Agria afirmou que não tem “nenhuma preocupação em calar essas vozes”. “A razão está do nosso lado, em toda a parte se lançam grandes obras para estimular a economia”, assegurou.

Para Miguel Eiras Antunes, da Deloitte, um dos especialistas que participou na conferência, a internacionalização das empresas portuguesas do sector da construção “é uma das chaves para fazer face ao esmagamento de margens actualmente existente no nosso País”, que são sensivelmente metade das conseguidas por outros operadores europeus.

O volume de negócios gerado no estrangeiro aumentou, entre 2004 de 12007, 160% para o conjunto das empresas de construção nacionais, num cenário em que o volume global decresceu entre 5% a 10%, assume Miguel Eiras Antunes.
A conclusão a retirar do actual estado do sector é de que “ainda falta muito trabalho em matéria de fusões e aquisições”.

Mas a verdade é que, se o problema está identificado e é consensual no sector da construção e obras públicas, “existe muita resistência a partir para um processo deste tipo”, desde logo devido à “estrutura familiar de muitas empresas”, assume o mesmo responsável. “Isto porque, se a venda de uma empresa coincidir com a saída do seu conselho de administração, é óbvio que ela perde valor”, explica.

Fonte: DN

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